A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) destacou no último dia 30 de outubro que os planos nacionais de ação contra as mudanças climáticas, já encaminhados ao órgão por 147 países, abrem o caminho para negociações mais ambiciosas na 21ª Conferência das Partes da Convenção (COP21), que acontece ao final de novembro, em Paris.

Juntas, as nações que já enviaram seus planos de ação, também chamados de Contribuição Pretendida Nacionalmente Determinada (INDC), respondem por 86% das emissões de gases do efeito estufa. O valor equivale a quase quatro vezes a participação nas primeiras rodadas dos compromissos do Protocolo de Kyoto.

Os INDCs contêm objetivos específicos que cada país está disposto a cumprir, levando-se em conta as capacidades e circunstâncias nacionais. Os documentos vão formar a base do novo acordo global contra mudanças climáticas, a ser firmado na COP21.

Segundo o novo relatório da UNFCCC, as contribuições dessas metas nacionais vão reduzir em 8% a média global de emissões per capita até 2025. Esse índice sobre para 9% na avaliação para 2030.

Para a secretária executiva da UNFCCC, Christiana Figueres, os INDCs são um ponto de partida promissor para a Conferência de Paris, ainda que não limitem o aumento da temperatura a 2ºC, objetivo almejado pela UNFCCC.

“Eles têm a capacidade de limitar o aumento previsto da temperatura a um valor estimado em 2,7ºC até 2100, o que não é de forma alguma o suficiente, mas já é bem mais baixo do que os estimados quatro, cinco ou mais graus de aquecimento previstos antes dos INDCS”, afirmou.

A UNFCCC não calculou previsões para o final do século, pois, segundo o Secretariado da Convenção, seriam necessárias informações sobre as emissões no mundo após 2030. A Convenção, porém, reuniu informações de outras pesquisas, cujas metodologias e suposições preveem um aumento em torno de 3ºC até 2100, caso as metas dos INDCs sejam cumpridas.

“Enquanto uma base, os planos de ação oferecem um fundamento sobre o qual ambições cada vez maiores podem ser construídas. Estou confiante de que esses INDCs não são a palavra final quanto ao que os países estão dispostos a fazer e conquistar com o tempo”, disse Figueres.