A adoção generalizada de produtos rotulados como ‘biodegradável’ não vai diminuir significativamente o volume de plástico que entra no oceano ou os riscos físicos e químicos que os plásticos representam para o ambiente marinho,concluiu um relatório da ONU divulgado nesta terça-feira (17).

O relatório “Plásticos biodegradáveis e Lixo Marinho. Equívocos, preocupações e impactos nos ambientes marinhos” acredita que a completa biodegradação de plásticos ocorre em condições que raramente, ou nunca, se vê em ambientes marinhos, com alguns polímeros exigindo instalações industriais e temperaturas prolongadas acima de 50°C para serem desintegrados. Há também alguma evidência que sugere que os produtos de rotulagem como ‘biodegradável’ aumentam a propensão do público de despejar o lixo em locais impróprios para tal.

O relatório foi lançado para marcar o 20º aniversário do Programa Global de Ação para a Proteção do Ambiente Marinho de Atividades Situadas em Terra (GPA, na sigla em inglês), um mecanismo intergovernamental, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

“Estimativas recentes do PNUMA mostraram que cerca de 20 milhões de toneladas de plásticos acabam nos oceanos a cada ano. Uma vez no oceano, o plástico não vai embora, mas se quebra em partículas de microplástico”, explicou o diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner, solicitando uma abordagem mais responsável na gestão de vida dos plásticos.

Em 2014, um estudo feito pelo PNUMA e parceiros estimou que cerca de 280 milhões de toneladas de plástico são produzidas globalmente a cada ano e que apenas uma pequena porcentagem é reciclada. Em vez disso, parte desse plástico acaba nos oceanos, custando vários bilhões de dólares anualmente em danos ambientais. Nos últimos anos, cresceu a preocupação com relação aos microplásticos, partículas de até 5 milímetros de diâmetro, usados, especialmente, em produtos cosméticos. Esse material é ingerido por espécies marinhas, podendo causar sua morte.

O relatório completo pode ser baixado aqui.