No ano de 2010, de todas as vítimas de doença de origem alimentar, 420 mil morreram; entre elas, 125 mil crianças abaixo de cinco anos, de acordo com relatório publicado na quinta-feira (3) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Até agora, as estimativas de doenças de origem alimentar eram vagas e imprecisas. Isso ocultava os verdadeiros custos humanos da comida contaminada”, afirmou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. Para ela, o relatóriocoloca a informação nos trilhos, já que a detecção dos principais agentes patogênicos e sua ação específica em partes do mundo permite a elaboração de estratégias mais precisas por parte do público, do governo e da indústria alimentícia.

A África e o Sudeste Asiático são as regiões com maior incidência de doenças de origem alimentar e com maior número de vítimas, incluindo crianças abaixo de cinco anos. No caso do Brasil, as taxas de mortalidade infantil em decorrência de doenças associadas à alimentação é baixa, e, entre adultos, ainda menor.

No entanto, a incidência de casos de doença de chagas transmitidos por alimentos no Brasil é citada no relatório. No país, 70% dos casos agudos registrados entre 2000 e 2010 foram associados ao consumo de alimentos. Segundo o relatório, estes indicadores reabrem o debate sobre qual seria a principal fonte de transmissão da doença, associada até o momento a via vetorial.

“O risco das doenças relacionadas a alimentos é mais severo em países de baixa e média renda, ligado ao preparo de comida com água contaminada; má higiene e condições inadequadas na produção de alimentos e no armazenamento; baixos níveis de alfabetização e educação; e legislação sobre segurança alimentar insuficiente”, segundo relatório.

O documento enfatiza a ameaça global gerada pelas doenças de origem alimentar e reforça a necessidade de que governos, indústria de alimentos e indivíduos façam mais para tornar os alimentos seguros e prevenir doenças deste tipo.