por Consórcio PCJ

As chuvas voltaram. Pelo menos por enquanto. Devido ao fenômeno El Niño, desde a segunda metade do mês de novembro as precipitações estão ocorrendo 23% acima das médias históricas nas Bacias PCJ, no interior do Estado de São Paulo. E esse comportamento climático deve se manter no primeiro trimestre de 2016. Tanta água pode ser notada nas vazões dos rios, inclusive com pontos de alagamentos. O Rio Piracicaba, por exemplo, chegou a apresentar vazões acima de 400 m³/s, bem diferente do que se viu na estiagem do ano passado, quando o rio agonizava com menos de 20 m³/s.

Diante disso, o Consórcio PCJ intensifica o apelo para que sejam construídas bacias de retenção, tanto em áreas rurais como urbanas, para armazenar a água das chuvas previstas para os primeiros meses do ano. “Não é necessário grande investimento financeiro para essa iniciativa. As máquinas das prefeituras podem abrir as valas à beira de estradas vicinais e estas já estarão armazenando água, impedindo alagamentos e alimentando o lençol freático”, atenta o secretário executivo da entidade, Francisco Lahóz.

Nas áreas urbanas, o Consórcio PCJ recomenda a construção das bacias de retenção nos espaços reservados às faixas de segurança das linhas de transmissão de energia elétrica que cortam os municípios. Esses locais possuem uma grande área livre de construções que poderia ser utilizada para a implantação das bacias, desde que devidamente cercadas para evitar riscos de acidentes com pessoas.

As bacias de retenção, também conhecidas como bacias de captação ou cacimbas, podem ser construídas tanto em área urbana ou rural, sendo mais comum ao lado de estradas vicinais. A localização delas é definida tecnicamente em função do declive do terreno, da área de exposição, tipo de solo e volume de precipitação local.

Durante todo ano, porém, com mais expressão no decorrer da estação chuvosa, que acontece entre os meses de outubro a março, as bacias armazenam as águas das chuvas, que por infiltração através dos horizontes do perfil do solo vão abastecer o lençol freático, aumentando o potencial dos mananciais e nascentes.

Para se ter ideia do potencial desperdiçado de reservação de água com a não implantação dessa iniciativa, pegue como exemplo uma região qualquer com média de precipitação de 1.000 milímetros/ano. Se esse município possuir 500 km de estradas vicinais municipais, com largura aproximada de 10 metros, portanto, uma área de 5.000.000 de m², sem as bacias de retenção implantadas, seria desperdiçada cinco bilhões de litros de água por ano, segundo o Manual Técnico de Manejo e Conservação do Solo, volume 5, elaborado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). Nas Bacias PCJ, a média de precipitação é de 1.400 milímetros em épocas normais.

As bacias de retenção configuram-se como uma alternativa mais barata diante da atual conjuntura econômica, somada às dificuldades financeiras que os municípios estão passando. Em Limeira, por exemplo, foram construídas 400 bacias de retenção, em Jaguariúna está em processo a instalação de outras 195 e Bragança Paulista construiu quase mil bacias de retenção no último ano, antevendo-se ao período de chuvas.

Ao final de 2015, no dia 11 de dezembro, o Consórcio PCJ organizou visita técnica às bacias de retenção implantadas no Condomínio Quintas de Santa Helena, no Bairro Campestre, em Piracicaba (SP), com vereadores dos municípios associados e membros do Conselho Fiscal da entidade, com o objetivo de fomentar a implantação de leis que mobilizem a construção do maior número possível de bacias de retenção na região.

Mesmo com volume de chuvas acima da média o Consórcio PCJ prega cautela com a disponibilidade hídrica. O lençol freático ainda não foi recarregado e não estão descartadas precipitações abaixo das médias históricas, a partir de abril, quando se inicia o período seco. Por isso, a importância de reservar o máximo de água possível das chuvas previstas para o início de 2016.

Os interessados em saber mais como construir uma bacia de retenção, segue abaixo links de conteúdo técnico:

– Manual Técnico de Manejo e Conservação do Solo e Água, Volume V: http://agua.org.br/wp-content/uploads/2015/08/manualaguasolo-v-5.compressed.pdf

– Controle de erosão em estradas rurais não pavimentadas, utilizando sistema de terraceamento com gradiente associado a bacias de captação (Dissertação de mestrado Rui Donizete Casarin, UNESP Botucatu, 2008)). Disponível em: http://www.pg.fca.unesp.br/Teses/PDFs/Arq0317.pdf

– Notas de Aulas Práticas da disciplina de Conservação do Solo e da Água (GCS 104) da Universidade Federal de Lavras, elaborada pelos Professores José Maria de Lima, Geraldo César de Oliveira e Carlos Rogério de Melo. Disponível em: http://www.dcs.ufla.br/site/_adm/upload/file/slides/matdispo/geraldo_cesar/notas_de_aula-pratica.pdf