Política sanitária conduzida sem padrões científicos colocam as Américas como responsáveis por 52% dos casos mundiais

A testagem em massa de pacientes suspeitos ou assintomáticos da Covid-19, incluindo aí o uso de testes rápidos, deveria estar totalmente incluída na política sanitária brasileira de contenção da pandemia. Países que lançaram mão do isolamento social rigoroso e da testagem em massa conseguiram reduzir drasticamente o avanço da pandemia e já retomam paulatinamente a atividade econômica.

Os números não deixam margem a dúvidas: países do Oeste do Pacífico, incluindo China, Coréia, Japão e Austrália, entre outros, que em sua ampla maioria adotaram uma rápida e rigorosa política sanitária, são responsáveis hoje por apenas 1,85% do total de casos registrados até o momento no mundo.

Já as Américas, com muitos países que adotaram políticas sanitárias frágeis e irresponsáveis, incluindo o Brasil e os Estados Unidos, são responsáveis hoje por 52% dos casos mundiais, seguidos pela Europa, com 21%. O Brasil já é o segundo país com mais casos e óbitos no mundo:mais dois milhões de contaminados e superando 80 mil mortes.

A TESTAGEM
Os especialistas apontam que a testagem em massa é fundamental, tanto para a comprovação do diagnóstico de pessoas com sintomas, como para o rastreamento de contatos dos infectados. “Não precisamos só esperar por uma vacina. Podemos salvar vidas agora”, afirmou no dia 20 de julho o presidente da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanon, defendendo a implantação urgente de políticas de rastreamento nos países.

Para José Roberto Salvador, farmacêutico-bioquímico diretor do Laboratório Pasteur que realiza todos os testes da Covid-19 em Americana, mesmo que os testes rápidos não sejam recomendados como única forma de diagnóstico, são uma excelente alternativa para a triagem inicial e testagem em massa da população.

“Trabalhamos com três tipos de testes, inclusive os testes rápidos. Vários fatores, como a coleta fora do tempo certo, entre outros, podem gerar resultados equivocados. Daí a importância de serem feitos por profissionais de saúde qualificados e terem indicação de um médico, que saberá indicar o tipo de exame ideal para a situação de cada pessoa e solicitar exames complementares, se necessário”, aponta Salvador.

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