Unidades de produção de fertilizantes têm expectativa de faturamento de R$ 2 bilhões anuais

Guilherme Weimann/Sindipetro

Foto: Agência Petrobras

Foto: Agência Petrobras

Após dois anos do anúncio do plano, a Petrobrás finalmente oficializou sua saída de um importante setor petroquímico. No início deste mês de agosto, a estatal repassou a posse, por 10 anos, de duas fábricas de fertilizantes nitrogenados para a Proquigel Química. As unidades estão localizadas nos estados da Bahia (Fafen-BA) e Sergipe (Fafen-SE).

A empresa, que pertence ao grupo Unigel, pagará R$ 177 milhões à estatal pelo direito de utilização das unidades. Essa quantia, entretanto, representa apenas 0,85% da expectativa de faturamento de R$ 2 bilhões anuais anunciado pelo próprio grupo que arrendou as fábricas. O contrato ainda prevê a possibilidade de renovação por mais uma década.

O otimismo dos novos gestores contrasta com a justificativa dada pela Petrobrás, no início de 2018, para abrir mão desses ativos. Na época, a petroleira apontou o prejuízo financeiro como principal argumento para a paralisação das unidades iniciada em 2018. No ano anterior, a Fafen-BA apresentou déficit de R$ 200 milhões e a Fafen-SE de R$ 600 milhões.

FALSA ALEGAÇÃO
A alegação de prejuízo foi duramente refutada à época por especialistas do setor e pelos sindicatos filiados à FUP (Federação Única dos Petroleiros) e à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros). Para eles, grande parte da perda era de natureza contábil, já que a Petrobrás vendia gás natural às próprias fábricas pelo valor cobrado no mercado internacional. Com isso, as unidades registravam prejuízo por comprar da sua “empresa-matriz”, mesmo que os produtos finais agregassem valor ao gás natural.

A Fafen-BA, localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, tem capacidade de produzir 1.300 toneladas de ureia por dia, além do potencial de fabricar amônia, gás carbônico e agente redutor liquido automotivo. Já a Fafen-SE, localizada no município de Laranjeiras, possui capacidade de produzir 1.800 toneladas de ureia por dia, como também de gerar amônia, gás carbônico e sulfato de amônio.

A expectativa da nova gestão é de que juntas elas atendam 20% do consumo nacional de ureia, monopolizado por importações desde paralisação das fábricas da Petrobrás. O início da reativação está previsto para janeiro de 2021.

O acordo também inclui o subarrendamento dos terminais marítimos de amônia e ureia no Porto de Aratu, na Bahia. As instalações abrangem uma área de aproximadamente 45 mil metros quadrados.

DEMISSÃO EM MASSA
Além do arrendamento da Fafen da Bahia e de Sergipe, a Petrobrás também fechou a Fafen do Paraná, localizada em Araucária, em fevereiro deste ano. Nesse caso, todavia, mesmo os trabalhadores próprios foram demitidos, com o argumento de que a Araucária Nitrogenados foi incorporada pela Petrobrás junto com seus funcionários, que não eram concursados.

A demissão em massa, sem negociação sindical, feriu o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e gerou a maior greve da categoria dos últimos 25 anos, com a adesão de 20 mil petroleiros distribuídos em cerca de 120 unidades da estatal.

SERVIÇO
Leia mais sobre o tema em: www.sindipetrosp.org.br

 

 

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