Água: crise em meio à abundância
Brasil tem a maior reserva mundial de água doce mas enfrenta nova crise hídrica
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Brasil de Fato

O Brasil tem a maior quantidade de água doce do mundo. Dois terços do Rio Amazonas, no Norte brasileiro, por exemplo, já seriam capazes de suprir a demanda mundial de água. Apesar disso, o país enfrenta a terceira crise hídrica em 20 anos e a maior já registrada em 91 anos, por causa, principalmente, da má gestão do recurso natural.

Um alerta para o problema foi publicado em um artigo na revista Nature neste mês de dezembro, assinado por três pesquisadores e endossado por outros 95 cientistas de diversas instituições nacionais e internacionais, entre eles os especialistas em questões hídricas brasileiras Carlos Nobre e Paulo Artaxo.

Intitulado O Brasil está em crise hídrica - é necessário um plano de seca, o texto alerta que, se o país não investir em pesquisa, monitoramento do solo e em novas fontes de energia renováveis, futuras crises hídricas encarecerão ainda mais o valor da energia e poderão comprometer a segurança alimentar do país e do mundo.

“A crise hídrica no Brasil é uma crise mundial”, diz o documento, lembrando que o país produz quase 15% da carne bovina do mundo, cultiva mais de um terço das safras de açúcar e é responsável por um terço das exportações de café, além de outros produtos globalmente importantes, como soja. “O Brasil precisa tratar a água como uma prioridade de segurança nacional”, afirmam os cientistas.

“Vivemos uma grave crise hídrica causada, por um lado, pela seca e pelas mudanças climáticas, mas, por outro, pela falta de gestão da água no país”, afirma Augusto Getirana, pesquisador do Laboratório de Ciências Hidrológicas do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa, um dos autores do artigo.

Segundo os cientistas, o país não faz monitoramento da umidade do solo, não tem um plano de gestão da água e não tem dados para prever a ocorrência de futuras secas e crises hídricas.

“O Brasil precisa mudar a forma como trata a água. Ela é um bem abundante aqui, mas usada de forma pouco produtiva”, diz a pesquisadora Renata Libonati dos Santos, do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ, que também assina o artigo.

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